5 Tópicos sobre a importância das rotinas

A altura de regresso às aulas implica muitas mudanças, sobretudo quando comparado ao período de férias. Este período para os adultos, nomeadamente para os pais, costuma resumir-se a duas ou três semanas. No caso das crianças contudo, estas estão de férias durante três meses. Se é verdade que durante esses três meses as crianças estão nas mais diversas atividades, como colónias de férias, acampamentos, workshops, entre outros, é também verdade que o seu horário e preocupações se alteram por completo. Ou seja, não existe a mesma preocupação com horas de sono, com trabalhos de casa, atividades extracurriculares ou mesmo com o stress base da aprendizagem e dos testes.

Por isso, basta-nos a nós pensar qual seria a sensação de voltar ao trabalho após três meses de férias para percebermos como este mês de regresso é ao mesmo tempo empolgante e assustador. Sim, empolgante, porque da mesma forma que poucos adultos acham estimulante estar três meses sem rotina, a maioria das crianças também quer regressar às aulas, às rotinas, aos amigos e aos professores. No entanto, é claro que é uma altura de maior tensão, por ter de perceber que certos hábitos de férias, que quase que já são rotinas, têm de ser alterados.

Para conseguirmos entrar neste novo ano letivo da forma mais positiva possível e para conseguirmos ajudar as nossas crianças a fazer o mesmo, ficam aqui 5 tópicos sobre a importância das rotinas neste regresso às aulas:

  • Confiança e segurança
    Desde bebés que exploramos o mundo que nos rodeia. Para compreendermos então este ponto, vamos também tentar-nos colocar na mesma posição que eles: se estivéssemos num ambiente que não conhecíamos e este estivesse constantemente a mudar, como nos sentiríamos? É verdade, a rotina é a base e o retorno que a criança tem do envolvimento que ainda está a conhecer. Assim, mantendo as rotinas estamos a transmitir um sentimento de segurança, que lhe dará a confiança necessária a novas explorações e aprendizagens.
  • Diminuição da tensão e da negociação
    Já todos os pais viram este filme. A criança acorda e liga a televisão, chega a casa e vai jogar no tablet. Enfim, toda uma lista de opções que existem nestes momentos e que frequentemente roubam tempo a tarefas que têm mesmo de ser feitas. Depois, na altura em que os pais tentam direcionar para uma das tarefas começa o período de negociação que frequentemente acaba em momentos de maior tensão. Quando existe uma rotina pré-estabelecida, e que compreenda os momentos de lazer também, é muito mais fácil de direcionar a criança para o que precisa de ser feito, relembrando que, caso siga o estabelecido, terá tempo para brincar e para descontrair. Claro que é mais fácil escrever, neste caso, do que aplicar, mas existe uma variedade grande de apresentações de rotinas, que até podem ser feitas em família. Dentro de em breve existirá um outro texto com ideias a fazer em família neste tópico.
  • Rentabiliza tempo
    Uma vez que as rotinas estejam incutidas será claro que não se perde tempo a pensar o que se faz primeiro: se os trabalhos de casa ou tomar banho; se jantar ou ver televisão; se tomar o pequeno-almoço ou vestir primeiro. Todo este tipo de escolhas podem e devem ser previstas anteriormente e manterem-se com regularidade. Caso tal aconteça vai ser possível, tanto para pais como para crianças, antever as diversas tarefas a fazer, começando a rentabilizar tempo à medida que estas se tornem automáticas.
  • Responsabiliza a criança
    Claro que é uma questão que se deve adaptar à idade da criança e que vai aumentando à medida que esta cresce, mas a realidade é que se as rotinas se mantiverem, a criança vai integrando as mesmas como parte segura do seu dia-a-dia. Desta forma, quando for crescida o suficiente, começará a ser capaz de realizar parte destas rotinas sozinha, como vestir-se, fazer a cama, lavar os dentes, pôr a louça do pequeno-almoço no lavatório e aí por diante, até ser completamente autónoma. Este caminho pode ser falado e preparado de forma a que pais e crianças trabalhem em conjunto para a autonomia. Por exemplo, por período ou por semestre a criança pode escolher uma tarefa para passar a fazer sozinha. Mas atenção, convém que estas tarefas sejam escolhidas de forma criteriosa e que se preveja o tempo que leva a criança a aprender a fazer estas tarefas sozinha, para que não se torne em fonte de stress.
  • Adapta-se ao quotidiano de cada família
    Apesar de existirem tarefas que são idênticas para todas as crianças e para todas as famílias, a verdade é que cada criança, cada família e cada escola tem um funcionamento próprio. Aliás, dentro da própria família existem alturas em que é possível existir maior flexibilidade e outras em que as rotinas devem ser mais rígidas. Tudo pode depender também da rede social de apoio, que falaremos em breve. Como tal, a rotina não é uma estrutura fechada, mas antes algo que deve ser adaptado no sentido de ajudar a família.

 

Acima de tudo, importa não esquecer que a rotina é algo que deve orientar o quotidiano, e que por isso mesmo deve ser facilitador para a família e não o contrário. Por isso, aproveitem este regresso às aulas.

 

Que seja um excelente ano!!

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3 comentários Adicione o seu

  1. Susana Oliveira diz:

    Olá!!!
    Gostei do que li😃
    Sou a Susana mãe da Carolina que têm 7 anos. A Carolina tem um perturbação de ansiedade, está a ser acompanhada em pedopsiquiatria na unidade do hospital D. Estefânia!! Já teve uns ataques de pânico…. é medicada com resperidona e sertalina!!
    Não é uma gestão fácil das rotinas! Mas tentamos ao máximo “brincar” com a situação…para minimizar!
    Agora, uma pequena ajuda😉.
    A Carolina precisa de fazer terapia sensorial…onde posso procurar?
    Obrigada

    1. AF diz:

      Bom dia Susana!

      Muito obrigada pelo comentário! É sempre bom saber quando um texto vai de encontro ao pais!
      Um olá especial para a Carolina e muita determinação! Tenho certeza que com trabalho e boa disposição as rotinas irão ficar cada vez mais fáceis!
      Sobre a terapia sensorial: os psicomotricistas integram frequentemente a sensorialidade na sua prática terapêutica, uma vez que faz parte do processo psicomotor. Ainda assim, em Portugal, os principais responsáveis pela integração e estimulação sensorial são os terapeutas ocupacionais. Contudo, a terapia sensorial especificamente que pergunta deve ser feita por um terapeuta com formação avançada na mesma, dado a especificidade. Assim, e na zona de Lisboa aconselho a procurar a Estimulopraxis, o Cadin e o PIN, dado os terapeutas destas equipas terem formação avançada em estimulação sensorial! Caso queira procurar outra forma de terapia, mas muito ligada à terapia sensorial, desafio-a a procurar a terapia Snoezelen, e nesse caso, o Forbrain. Caso ainda assim não encontre uma resposta, peço que me volte a contactar, para encontrarmos uma solução!

      Vão haver mais textos que eu espero que continuem a ser úteis!

      Muito obrigada e um beijinho para a Carolina!

      Deixo os links aqui para fácil acesso:
      http://www.estimulopraxis.com/especial.html#10
      http://www.cadin.net/areas-atuacao/corpo-clinico#terapia-ocupacional
      http://pin.com.pt/a-equipa/#filter-terapia-ocupacional
      http://www.forbrain.pt

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