As dicas de ouro das atividades extracurriculares

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Nesta altura do ano, em outubro mais precisamente, o início do ano letivo já vai longe, as aulas já seguem um bom ritmo e começa a preocupação com as atividades extracurriculares. É exatamente no início do mês que as aulas experimentais são feitas e que se aproveita para a inscrição, aproveitando o mês completo.

Assim, como já havia falado, venho então apresentar dicas que são fundamentais ter em mente quando se escolhe as atividades extracurriculares das crianças. Peço desde já atenção, estas dicas devem ser sempre adequadas ao contexto familiar de cada um e ainda à realidade e importância que as atividades tenham. Ou seja, todas estas dicas são flexíveis ao quotidiano de cada família e de cada criança.

Agora, falando das atividades extracurriculares em si, estas são o que o próprio nome indica: algo extra à atividade curricular obrigatória, ou seja, a escola. Logo, importa recordar que as crianças já estão o dia inteiro em sala de aula, a trabalhar e a aprender. Ainda assim, a escola foca-se bastante na atividade cognitiva e no desenvolvimento linguístico e matemático, muitas vezes deixando para trás o desenvolvimento criativo e motor-cinestésico da criança. Por isso as atividades extracurriculares são de extrema importância: ajudam a criança a desenvolver um espírito de pertença a um outro lugar que não apenas a turma, e permitem o desenvolvimento de outras competências, que chegam a ser tão importantes como as académicas.

Mas atenção, com o nível de oferta que existe hoje em dia, é fácil de nos perdermos e acabarmos por tomar decisões que se tornam difíceis de manter durante o ano letivo. Por isso mesmo, deixo aqui as dicas que eu considero mais importantes para a criança e para a família na hora de escolher as atividades extracurriculares:

A logística tem de ser fácil
Em consulta é frequente aperceber-me que os pais precisam de fazer autênticas acrobacias para conseguir levar e trazer os filhos, por vezes vários, em várias atividades, em vários locais. Estas rotinas podem parecer fazíveis no horário teórico, mas na prática tornam-se insustentáveis pela fatiga e pela exaustão que representam. Tentem manter atividades que sejam realistas para não aumentar a tensão entre os pais e as crianças e levar a mais discussões diárias. Procurar respostas na rede social de apoio pode ser uma estratégia, de forma a diminuir o esforço dos pais. Caso tal não seja possível, procurar soluções que sejam mais perto da escola ou de casa sempre facilitam e diminuem o tempo de viagem. 

Os horários têm de ser compatíveis com os de uma criança
Este foi o último tema a ser abordado: as crianças suportam neste momento um horário mais pesado que o de um adulto, nem tanto pela escola, que geralmente acaba pelas 16.00, mas antes pela acumulação do ATL, mais atividades extracurriculares, mais explicação. É demasiado frequente ouvir pais a relatar que as crianças têm aulas de desporto ou de música entre as 19.30 e as 20.30. Isto significa que geralmente só estão em casa pelas 21.00, a jantar pelas 21.30 e que o resto do serão é passado em stress entre trabalhos de casa, preparação para ir para a cama e, no fundo, sem tempo de qualidade em família. Por isso, é necessário ter em atenção o horário e como é que a atividade vai ter impacto no resto do dia da criança e da família.

A atividade tem de ser suportável pela família
Existem desportos e atividades culturais – teatro, música – que são extremamente apelativos para a família dado os benefícios que apresentam. É também normal que estas atividades apresentem um preço extremamente elevado e que é impossível suportar todos os meses durante todo o ano letivo. Desta forma, não se pode deixar este fator de lado na altura da escolha das atividades. Existem várias formas de contornar o problema e é comum que estas atividades existam com preços muito mais acessíveis em outras estruturas menos conhecidas. Caso tal não seja possível, importa ponderar bem junto da criança sobre a importância dessa atividade com ela e sobre o peso que terá sobre a família.

A criança tem de gostar da atividade
Analisemos: a criança passa o dia inteiro na escola a fazer a sua principal ocupação: aprender. Muitas vezes sai da escola para ir para o ATL onde continua a realizar tarefas, muitas vezes académicas, como fazer os trabalhos de casa. Se após estas tarefas ainda as formos colocar numa atividade que estas não obtenham prazer, estamos apenas a aumentar o nível de ansiedade e de angústia das crianças. Mas atenção, que ela tenha que gostar, não equivale ao mesmo que correr bem todas as semanas. As atividades extracurriculares também se baseiam em aprender competências, o que por vezes demora mais tempo. Isso não é razão para a criança desistir sempre que não ganha ou que não consegue logo na primeira tentativa. Cabe aos pais e às crianças fazerem um acordo que defina que as mesmas tenham de se manter nas mesmas atividades até ao final do período ou do ano letivo, de forma a ultrapassarem a adversidade e aprenderem, e assim, perceber-se se era algo momentâneo, ou se não existe mesmo prazer naquela atividade.

Ou seja, as atividades extracurriculares são algo muito rico e que permite às crianças aprenderem diversas competências que serão importantes no futuro, para além de lhes permitir desanuviar de um dia de aulas e de trabalho. No entanto, importa a família pesar bem todos os factores inerentes em praticar uma atividade extracurricular de forma a que seja um momento tranquilo para toda a família.

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