Porque é que temos de falar do dia das mulheres às nossas crianças!

Celebra-se hoje mais um dia internacional da mulher e a verdade é que, com tantos dias para comemorar, com o passar do carnaval e com o aproximar da Páscoa, somando ao dia dos namorados, torna-se difícil conseguir discernir entre o que vale a pena explicar e celebrar com as nossas crianças e os dias que devem ser vividos dentro da normalidade e tranquilidade.

Mas essa normalidade não é para hoje, pois este dia, apesar de rodeado por muitas outras comemorações mais apelativas e mais comerciais, é um dia que não deve nunca ser esquecido e que deve ser explicado com muito cuidado e rigor às nossas crianças e sobretudo às nossas meninas.

E não, isso não significa que devamos dizer às nossas meninas que são mais especiais que os nossos meninos, tão especiais que até merecem um dia só para elas. Também não significa que devamos dizer aos nossos meninos que as nossas meninas são mais frágeis, tão frágeis que até merecem um dia só para elas.

Devemos abordar este dia com a seriedade que é necessário e transmitir esta mesma solenidade às nossas meninas. É que note-se, as nossas meninas não saberão o que é não votar, não saberão o que é ser privadas de ter uma carreira, e se tudo correr bem, tão pouco saberão o que é ser permitido ao seu pai e/ou marido ser dono delas, podendo dar-lhe ordens ou bater, com consentimento da sociedade e da lei. É verdade que as nossas meninas olharão este passado sem nunca o ter vivido. Mas é necessário que olhem para as mulheres que permitiram esta mudança.

Porque apesar da proteção que já foi conseguida para as nossas meninas, a verdade é que ainda é provável que elas cresçam para um mundo que acha justo que elas recebam menos pelo mesmo trabalho. Ainda é provável que vejam um colega delas a ser promovido no lugar delas, não por questões de mérito, mas antes por sexismo. Ainda é provável que quando chegue a determinada idade perguntem aos seus irmãos como vai a sua carreira, mas lhe perguntem a ela quando pensa engravidar. Ainda é provável que olhem para a sua futura casa e perguntem se o companheiro ajuda, como se a obrigação da sua manutenção fosse dela. Ainda é provável que quando for mais crescidinha e for a uma discoteca, alguém se sinta no direito de apalpar o seu corpo como se fosse um objeto. Ainda é provável que um dia alguém as tente fazer acreditar que têm de conciliar sozinhas o trabalho, as relações, os filhos e a casa, num verdadeiro malabarismo que resulta invariavelmente em frustração e culpa. Ainda é provável que estas meninas sejam mais facilmente vítimas de diversos abusos, apenas por serem meninas.

E por isso, temos de preparar as meninas e também os meninos de hoje para a sociedade em que vão querer viver. Para não deixar crescer nos meninos o sentimento de que têm de proteger as meninas porque são frágeis, o que origina, mais tarde ou mais cedo, homens que acreditam ter o dom de posse sobre as mulheres. E para explicar às mulheres o que é o feminismo, o que são os seus direitos, de forma clara e não pomposa. Para que, numa sociedade que está pronta a julgar quem calça saltos e quem não calça, quem veste decotes e quem se cobre, quem usa batom vermelho e quem não usa maquilhagem de todo, estas meninas cresçam a saber que podem ser quem quiserem ser. Porque têm o direito a isso mesmo. A serem só e apenas mulheres.

Retirado de http://4.bp.blogspot.com/_lLwDUtBxJeU/TUa1kI87ocI/AAAAAAAAAKA/u6hf5tyqIBM/s1600/menina-mulher.jpg

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