Psicomotricidade nas dificuldades de aprendizagem

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Estamos na semana em que se comemora o dia do psicomotricista. Como tal, esta semana temos algo muito especial preparado: uma saga de textos diários direcionados exclusivamente para o trabalho do psicomotricista, neste caso, com crianças.

Este artigo vai então focar-se na psicomotricidade e o seu trabalho com dificuldades de aprendizagem. A verdade é que esta relação não é de todo intuitiva e ainda tenho diversos pais e professores que ficam muito admirados em como o psicomotricista se debruça sobre estas dificuldades e os resultados espantosos que podem surgir deste trabalho.

Mas primeiro, temos de recordar como éramos quando éramos bebés, antes de sabermos tudo o que sabemos hoje. É difícil… se calhar podemos recordar o nosso filho, sobrinho, irmão. Não sabiam nada… não sabiam falar, andar, pedir, memorizar… no entanto, todos eles faziam algo: moviam-se. O movimento está presente desde que nascemos e é este movimento que começa a dar-nos as ferramentas para a nossa aprendizagem. Este fator, unido às nossas sensações e emoções -de prazer, de desconforto – começam a dar-nos pistas do que está à nossa volta e, ao mesmo tempo, de como podemos interagir com este ambiente. Estas interações, tão, mas tão importantes acabam por se ir imprimindo no cérebro do bebé e formando ligações, que lhe vão permitir realizar outros movimentos, ter outras sensações, dar outras respostas e ter outras aprendizagens.

E o importante de lembrar é que esta relação entre movimento, sensação/ emoção e aprendizagem se mantém ao longo de toda a vida.

Por isso a psicomotricidade é uma ferramenta tão importante nas dificuldades de aprendizagem, porque no fundo vai-se apoiar neste mecanismo para potenciar, promover e no fundo descomplicar as aprendizagens nas quais a criança tem mais dificuldades. Na psicomotricidade as dificuldades de aprendizagem raramente passam pela mesa, pela cadeira e pelo lápis. Quando uma criança entra naquela sala vai viver, vai sentir, vai cimentar e aprender e só depois vai generalizar aquela nova aprendizagem para outras experiências, onde estão então incluídas a mesa, a cadeira, o papel e a escola. Mas antes disso vai saltar, vai construir, vai modelar, vai colar, vai recortar, vai fazer de uma forma e de outra e de todas as formas diferentes que se conseguir lembrar, sempre fazendo uso ao seu corpo. Apenas depois, muito mais à frente, vai perceber que afinal, a dificuldade já deixou de o ser.

 

Retirado de http://www.casaestreladomar.pt/blog/criancas/dificuldades-de-aprendizagem/

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