A psicomotricidade na Perturbação do Espectro do Autismo

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Ainda hoje, em conversa com pessoas muito fora da área, alguém me disse: “ah, mas é asperger, isso não é bem autismo pois não? ”

Vivemos realmente numa sociedade de tudo ou nada. Ou se tem, ou não se tem. Ou é grave, ou não existe. Ou é preto, ou é branco. Talvez por isso mesmo o conceito de espectro do autismo seja tão difícil de compreender. Ter síndrome de asperger não é menor, não é menos autismo, é apenas de uma ponta diferente e altamente funcional do espectro, mas não torna as dificuldades menos dignas de respeito e aceitação.

Mas não é sobre autismo e a sua definição que falamos hoje. Hoje, como no resto desta semana, falamos sobre a importância da intervenção do psicomotricista junto destas crianças. Ora, a Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) caracteriza-se exatamente por uma dificuldade ao nível da comunicação, sendo frequentemente marcada por estereotipias corporais, resistência na mudança, preferência por objetos específicos e/ou assuntos, dentro de tantas outras características que possam ou não existir. São frequentemente crianças que não reagem de imediato bem ao toque. De qualquer das formas, não é obrigatório o toque para o psicomotricista conseguir trabalhar com o corpo.

Por isso, o psicomotricista em sessão vai providenciar a estas crianças um local seguro e controlado, onde poderá gradualmente ir explorando e testando os seus limites, sempre sobre o olhar empático do psicomotricista que, por seu lado, irá, dentro dos limites da criança, promover a relação entre os dois. Desta forma, o espaço de psicomotricidade mostra-se como um local de aventuras em que a criança se sente protegida e preparada para embarcar, e o psicomotricista apresenta-se como o ajudante da criança, estando presente, mostrando-se presente e esforçando-se por criar cada vez mais pontes.

Trabalhar com crianças com PEA numa sala de psicomotricidade é trabalhar vários mundos. É trazer o mundo da criança, mostrar os diversos mundos que o psicomotricista traz, e mais ainda do que isso, é construir um mundo dos dois, em relação.

Retirado de http://papasabordo.com/Portal/?p=13137

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