Caros professores



Caros professores,

Hoje é dia de me dirigir a vós, figuras essenciais e centrais neste regresso às aulas. Seria impensável repensar todo este ano letivo e esperar que todo este ano letivo corra como deve ser sem vos dirigir também a vós algumas palavras de gratidão, esperança e apreço.

Professores, eu sei que a vossa posição não é de todo fácil. Eu sei que passam o dia com essas crianças e sei que elas não poderiam ser mais diferentes do que as crianças anteriores, ou das crianças que vocês mesmos foram. Estas crianças que conseguem apreender tudo o que têm à frente num ecrã, mas que não são capazes de estar sentadas numa sala de aula; estas crianças que têm tudo à sua disposição, mas que não se interessam por nada; estas crianças que foram criadas numa era super evoluída, mas a quem tantas vezes faltam os princípios básicos de educação e empatia; estas crianças com pais com cada vez mais recursos, mas também com cada vez menos tempo. Eu compreendo, caros professores, que seja um paradigma quase impossível para se ter em sala de aula.

Sei também que vivemos num tempo difícil para vós. Sei que vivemos num tempo em que os recursos que vos são dados escasseiam; em que as leis alteram ano após ano, não dando sequer tempo à semente de crescer, quanto mais de virar fruto; sei que vivemos num tempo em que vos é pedido muito, mas dado tão pouco; sei que vivem frequentemente com a sensação de julgamento alheio de quem não faz a menor ideia do que é a escola hoje e na incerteza do que será o amanhã. Acima de tudo, compreendo que por vezes falte a motivação para fazer aquilo que têm paixão em fazer: ensinar.

Por isso professores, eu venho aqui pedir-vos quase o impossível. Não deixem de ser os super-heróis que vos inspiraram a chegar onde estão hoje. Não deixem que o peso que têm em cima seja demasiado penoso para ultrapassar os obstáculos que a sociedade hoje apresenta. Lembrem-se dos vossos professores, daqueles que vocês admiravam, aqueles em que vocês se queriam tornar um dia. Examinem essa imagem, retirem as suas principais qualidades e dificuldades e peguem nelas para se inspirarem também.

Só com professores inspirados e só com professores empenhados a escola poderá avançar. Peço-vos que tenham em mente que estas crianças passam grande parte do seu dia convosco e que como tal vos têm como exemplo, não só para o conhecimento que lhes passam, como também para aprender outras coisas como empatia, compreensão, auto-estima, cooperação, entre tantos outros valores que não vêm nos livros, mas que são essenciais. Lembrem-se professores da vossa grande responsabilidade ao estarem tanto tempo com as vossas crianças. Isto permite-vos ter um olhar que mais nenhum adulto tem sobre o seu desenvolvimento, o que está a correr bem e o que precisa de ser mais apoiado.

E neste sentido queridos professores, não nos fechem as portas. Nós terapeutas muitas vezes estamos altamente dependentes de vós para podermos avançar, para podermos realizar um melhor diagnóstico, um melhor plano terapêutico, e sobretudo para uma melhor intervenção. Eu peço professores, se não for pedir de mais, para serem os nossos olhos, os nossos ouvidos e as nossas mãos quando nós não estivermos lá. Em contrapartida, nós prometemos que estaremos sempre de portas abertas para vós, em tudo o que for preciso.

Imagem retirada de http://www.cursoacesso.com.br/relacao-professor-e-aluno/

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *