Caros colegas terapeutas


Caros colegas,

E não falo apenas para psicomotricistas. Falo para terapeutas da fala, para terapeutas ocupacionais, psicólogos e pedagogos. Falo para fisioterapeutas e todos os outros terapeutas que, de uma forma ou de outra, acompanham as crianças durante o ano letivo. Porque sim, podem não ter andado na mesma faculdade que eu, podemos não partilhar a profissão, nem termos tido as mesmas unidades curriculares, podemos até ter vocabulário técnico diferente e usar instrumentos distintos, mas todos nós trabalhamos para o mesmo. Não nos esqueçamos nunca disto queridos colegas, por muito que as categorias nos tentem afastar, todos nós trabalhamos na verdade para um bem maior, para o harmonioso desenvolvimento da criança, ou em palavras mais simples, todos nós trabalhamos para fazer as crianças um pouco mais felizes.

E para que isso seja necessário temos de nos unir, não batalhar entre nós. Eu sei que a realidade no que diz respeito ao campo terapêutico em Portugal é difícil, nomeadamente em escolas. Acreditem, eu sei. Eu sei que os recursos são cortados de ano para ano, mesmo quando vemos as necessidades crescerem todos os dias que passamos os portões da escola. Colegas, eu mais que ninguém sabe o que é fazer cerca de 15 avaliações para no final só conseguir ficar com uma mão cheia de crianças. Eu sei e percebo o que é ver crianças a desaparecerem sem deixar rasto, mesmo quando vocês sabem que o caminho está apenas no início. Eu sei o que é saber que o acompanhamento tinha de ser semanal, mas no entanto ter os pais a pedir espaçamento, já que os recursos económicos não existem. E claro que percebo que esta realidade promove um espírito de competição e de dificuldade que nos leva a querer absorver o máximo de crianças possível.

Daí ter já visto terapeutas ocupacionais a realizarem o trabalho de psicomotricistas. Psicomotricistas a tentar passar a linha com psicólogos, psicólogos a tentarem fazer o trabalho de terapeutas ocupacionais. Eu sei que as linhas são ténues, e sei que os conhecimentos transdisciplinares são fundamentais para terapeutas mais completos. Mas também sei que muitas vezes não é isso. E também sei que por vezes mantemos crianças sobre o nosso cuidado quando no fundo sabemos que está na altura para ela avançar ou para apenas passar para outro tipo de acompanhamento.

Por isso colegas, o meu compromisso para este ano é ter uma porta mais aberta para vós e um olho clínico mais atento para as crianças. Prometo sorrir a todos vós e perguntar sempre de coração aberto ao conhecimento que vocês têm para partilhar. Da mesma forma, prometo a responder a dúvidas e a esclarecer as vezes que forem necessárias, sem nenhuma reticência. Prometo partilhar autores, discutir estratégias e debater planeamentos terapêuticos. Prometo ir a todas as reuniões em que vocês estiverem presentes e ouvir-vos da forma mais atenta possível.

Porque colegas terapeutas, já chega de disputas, quando as equipas vencedoras são claramente aquelas que dão as mãos, nunca as que viram costas. E colegas, juntos traremos muitos sorrisos.

Imagem retirada http://unicenter.pt/suporte/a-equipa

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