Quando o corpo não faz o que a mente manda


Será que ainda nos lembramos de como foi começar a andar? O mais provável é que não e, para a grande maioria de nós, hoje andar é um movimento comum sobre o qual não pensamos: os pés colocam-se em frente um do outro, as pernas avançam e o corpo anda, parece simples.

Mas a realidade é que um dia foi quase impossível e de extrema dificuldade. Sim, existiu uma altura em que nós, normalmente muito pequenos, olhávamos para os adultos que nos rodeavam, queríamos fazer igual, entendíamos o movimento, percebíamos a lógica, mas pura e simplesmente as nossas pernas e os nossos pés não nos obedeciam. Houve até uma altura em que tínhamos que nos segurar em coisas ou nas mãos consistentes de quem estava perto, imagine-se só.

Parece longínquo não é verdade? Pois, para muitas crianças, esta é ainda uma realidade, sobretudo para as crianças que são especiais. Tenho imensas crianças que me vêm a fazer colares de miçangas, ou a cortar bonecos de uma revista, ou a modelar plasticina, ou a saltar a pés juntos, ou a tocar nos pés com as mãos e que me conseguem ver, conseguem entender o movimento, mas quando chega a vez delas, a ação não sai. É como se houvesse um corte no processamento que dificulta mil vezes mais algo que a nós parece tão simples.

Conseguimos imaginar o difícil que é a escola, a ginástica, os recreios e as atividades destas crianças? para conseguirmos, teríamos de nos lembrar de como é tentar caminhar pela primeira vez. Conseguimos perceber a dificuldade que é para esta criança dizer: “senta-te e sossega”, quando as suas pernas teimam em se esticar, quando as suas mãos só encontram serenidade quando batem ritmicamente na mesa, quando só o movimento consegue trazer paz.

É difícil eu sei, talvez tão difícil quanto é para estas crianças não serem escolhidas para equipas, deixar cair o material constantemente no chão, estarem tantas vezes em castigo onde devem estar quietas por não terem estado quietas no primeiro lugar, ou mesmo por ver que o que é tão fácil para uns, é tão difícil para outros.

Cada um de nós é um mundo, e cada criança é um mundo, que ainda por cima ainda está a descobrir. Nunca nos esqueçamos disso.

Caso considere que a criança necessita de alguma avaliação ou tipo de intervenção, por favor, não hesite em contactar.

Imagem retirada de http://delas.ig.com.br/filhos/2014-03-11/brincadeiras-de-verao-para-criancas.html

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